sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Os Injustiçados parte 2 - Street Fighter: O Jogo de RPG

Banzai, cambada!

Dando continuidade à série de textos sobre RPGs que tinham tudo pra dar certo mas não vingaram, agora o Oráculo ataca com Hadoukens, Shoryukens e "Alec Fulls". Então junte suas fichas, aperte start e leia sobre o piorneior dos video games sem video game!...

...

ORIGEM

Nos primórdios da década de 90 o RPG estrangeiro passava por uma crise. Os jogadores antigos estavam se afastando e não surgiam novos jogadores. Pensando nisso as gigantes do RPG resolveram criar novas linhas para atrair novatos.

A TSR atacou com First Quest, uma versão simplificada do seu famosíssimo Advanced Duangeons & Dragons (cujo "Advanced" espantava muitos novatos). Enquanto isso a White Wolf largou seus vampiros, lobisomens e magos pra atrair os novatos com Street Fighter!

Baseado na famosa série de jogos da Capcom (que se você nunca jogou, realmente nunca viveu neste mundo), Street Fighter: The Storytelling Game usava o sistema de regras Storyteller, mas com certas modificações para comportar o universo dos Guerreiros Mundiais.





POR QUE NÃO DEU CERTO ?


É difícil dizer por que o jogo não deu certo nos EUA, já que o cenário era riquíssimo e o jogo tinha ótimas idéias, além de transformar um novato que nunca jogou RPG na vida em um verdadeiro roleplayer, com suas regras simples e grande foco na interpretação.

Já no Brasil o fracasso do jogo foi meramente uma disputa entre empresas. A Devir Livraria tinha os direitos de tradução de toda a linha Storyteller e lançou os jogos Vampiro: A Máscara, Lobisomem: O Apocalipse, Mago: A Ascenção, entre outros. Contudo, eles não poderiam lançar Street Fighter, pois o jogo é propriedade da Capcom.

Porém, ao fim de 1998 a Editora Trama, responsável pela Dragão Brasil, conseguiu um contrato para lançar produtos da Capcom, como quadrinhos e RPGs. Os primeiros RPGs dessa linha foram os da série 3D&T, mas logo eles viram a oportunidade de lançar o Street Fighter: The Storytelling Game, que há tempos era pedido pelos fãs brasileiros.

O jogo foi lançado em três fascículos e se tornou o livro básico mais barato do Brasil (só perdendo pros próprios RPGs da Trama como 3D&T e Trevas), com um conjunto completo a menos de R$ 15,00. Foi umainiciação ao RPG para muitos, incluindo este que vos escreve.

Porém, a Devir alegou que, por ser um jogo da linha Storyteller, portanto, pertencente à White Wolf, o jogo não poderia ser publicado sem sua autorização. A situação ficou extremamente confusa, já que os personagens, o cenário e o próprio jogo original de video games pertence à Capcom.

Com essa situação, a Trama acabou não publicando nenhum material além do livro básico, e mesmo na revista Dragão Brasil o jogo não tinha suporte algum. Como não tinha suplementos em português e o material publicado na Dragão Brasil era praticamente nulo, Street Fighter acabou caindo no esquecimento. Chegou a ter uma versão encadernada custando menos do que os três fascículos originais, mas isso não ajudou a alavancar o jogo.




DESFAZENDO A INJUSTIÇA


Como RPG, Street Fighter não faz feio, e a White Wolf como sempre nos trouxe material de muita qualidade. Para quem pensa que Street Fighter é só pancadaria temos um cenário muito rico sobre o submundo dos torneios clandestinos de artes marciais e a grande organização criminosa Shadaloo.

As regras do jogo também são bem interessantes. Existem dois modos de combate, um estratégico e outro narrativo, no primeiro usam-se cartas com as manobras utilizadas pelos lutadores (desde um soco até um Hadouken) e um mapa hexagonal com miniaturas, já no sistema interpretativo as coisas funcionam melhor do que no sistema Storyteller normal, já que com apenas uma rolagem de dados se resolve o ataque (evitando as jogadas absurdas de Lobisomem, por exemplo).

Hoje em dia, nos tempos da internet, Street Fighter ainda é mantido vivo por seus fãs, com destaque especial para o site Street Fighter RPG Brasil, que publica toneladas de material para o jogo, incluindo até as fichas de lutadores do mundo real como os brazucas Vitor Belfort e Lyoto Machida. Além disso existem traduções dos suplementos que não foram lançados em português oficialmente.

Por isso, se você ainda não teve a oportunidade, junte seu grupo e vá "ao encontro do mais forte"!


MATERIAL INDICADO

* Street Fighter: The Storytelling Game - Lançado no Brasil sob o título de Street Figthter: O Jogo de RPG, este é o livro básico do jogo, e o único lançado oficialmente;

* Secrets of Shadoloo - O melhor suplemento do jogo, mostra em detalhes a mega organização criminosa que é pedra no sapato da maioria dos Street Fighters;

* Player's Guide - Como todo título Storyteller que se preze este também ganhou seu Guia do Jogador, com novas regras e expsnão das regras antigas, além de muito material para background e interpretação;

* Contenders - Novos estilos de luta, novas manobras especiais e dezenas de novos lutadores;

* The Perfect Warrior - Aventura pronta sobre um sensei lendário e seu estilo de combate único.

21 comentários:

  1. Eu sou o webmaster da Street Fighter RPG Brasil e coloco-me a disposição dos leitores do blog para sanar dúvidas e receber o feedback do site!

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  2. Parabéns pelo SFRPG Brasil! É um ótimo site que eu acompanho já há algum tempo (inclusive eu já havia colocado um link pro site no meu blog, Dimensão X, faz um tempão).

    Infelizmente o Street Fighter da White Wolf não teve o sucesso que mereceu. Ele vendeu muito na época, mas por falta de suporte acabou caindo no ostracismo em relação ao 3D&T, por exemplo, que recebia (e recebe até hoje) suporte contínuo de seus autores.

    Mas graças aos deuses existem sites de fãs competentes como você e o pessoal do Shotokan RPG.

    Então, cambada, se vocês gostam de Street Fighter não deixem de dar uma olhada no SFRPG Brasil, pois vale muito à pena!

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  3. Talvez o rpg do SF tenha falhado miseravelmente por causa dessa capa podrona! =)

    Oráculo, faltou também o "Tiger Robocop" do Sagat!

    Abraços galera!

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  4. A arte original da White Wolf era realmente um lixo! Graças aos deuses a Trama teve a idéia de usar material oficial da Capcom e algumas ilustrações próprias. Embora, isso também se deva à política da White Wolf de vender os direitos das ilustrações em separado, o que tornaria a tradução mais cara.

    Tiger Robocop, Alex Full, Boga Faire, Cuz-cuz e Roriuguem são clássicos do Street Fighter de fliperama, quando a gente ia nos botecos comprar umas fichas e era importunado por trombadinhas dizendo: "deixa eu pegar uma tela aê!"

    Hoje em dia não tem nada disso, pois as crianças já saem da barriga da mãe jogando World of Warcraft trancafiados em casa ou numa lan-house escura.

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  5. Acho uma pena o jogo ter ficado em coma. Pra ver o absurdo, meu vizinho comprou o livro básico há mais de 5 anos e nunca foi usado! Deixou comigo pra ler e tá até hoje numa gaveta porque ningúem quis jogar. Pena. Parabéns ao Dragão e a Street Fighter RPG Brasil, provando que quando querem, os fãs podem fazer a diferença. Té +.

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  6. Mas é claro que os fãs fazem toda a diferença, afinal são eles quem pagam os salários dos autores. Um jogo sem fãs não vende e não dá lucro à editora, portanto acaba cancelado.

    No caso do SFRPG o problema não foi falta de vendas, já que, segundo o próprio Cassaro afirmou que as revistas venderam e muito.

    Eu já joguei algumas sessões de Street Fighter, mas nunca uma campanha longa. Destaque para a cena onde eu tentei usar Shock Treatment (o poder do Blanka) para burlar um eletro-encefalograma... e consegui!

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  7. pô... o mais clássico é o da chun-li... 'mimi taxi', 'vou de taxi' (já escutei essa) entre tantos nomes q esse golpe ganhou (e até hj não sei qual é o original).... =D

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  8. pô... o mais clássico é o da chun-li... 'mimi taxi', 'vou de taxi' (já escutei essa) entre tantos nomes q esse golpe ganhou (e até hj não sei qual é o original).... =D

    (pq eu saí como professor acima eu naum sei... mas vai entender....)

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  9. A única mancada do sistema foi colocar que o Blanka lutava capoeira, só porque o cara era brasileiro...

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  10. Eu achei interessante, afinal o Blanka é um lutador masid e habilidade e acrobacias do que de força (apesar dele também ser forte). É claro que ele não é um capoeirista como Eddy Gordo de Tekken, mas achei uma boa idéia dar-lhe este estilo.

    É claro que a idéia do Brasil que a White Wolf tinha na época era fora da realidade, mas mesmo assim não acredito que tenha estragado o jogo.

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  11. em conclusao, qual ficou mais proximo do game, Storytrlling ou 3d&t?

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  12. Em termos da história, 3D&T é mais fiel, isso porque a White Wolf não teve acesso ao material original da Capcom e tiveram que inventar quase tudo (como a explicação dos poderes de Guile e Bison).

    Mas a ambientação da versão Storyteller é infinitamente mais completa e as regras do jogo tentam ao máximo emular todas as características do game (existem 3 socos e 3 chutes básicos, tal qual os 6 botões do game, além disso todas as manobras usadas no game estão presentes).

    As regras de 3D&T são extremamente simples, deixando essas coisas a cargo da descrição dos jogadores, portanto, cabe a você decidir qual gosta mais. Eu gosto de ambos então não posso dar uma opinião única.

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  13. Pra mim é o melhor sistema de combate 1x1 ja inventado.

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  14. Enquanto combate entre personagens o sistema básico é perfeito, mas pra roleplay eu acho lento.

    Quando eu jogo eu prefiro da seguinte maneira: combates ocorridos na história, com bandidos da Shadaloo e outros vilões normais eu uso os sitema sem cartas.

    Já em torneios ou em lutas de vida ou morte (Sagat tentando sua vingança contra Ryu, por exemplo) eu prefiro o sistema com cartas, pois aí o foco é no combate.

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  15. E sobre a capa original americana: por que diabos o Blanka está rindo ao tomar um chute nos culhões?

    Será que ele colocou uma cueca de aço e está rindo da tentativa fustrada da Cammy de golpeá-lo nas partes baixas ou será que o Blanka é eunuco e não tem nada lá pra machucar?

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  16. o blanca lembra muito aquele do live action com vandame
    kkkkkkk

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  17. Cara, que história confusa.

    Teoricamente, a confecção do material pela White Wolf também significaria que eles compraram os direitos autorais da Capcom, incluindo os direitos de imagem.

    É extremamente confuso você falar em direitos autorais da Capcom depois disso, pois já estão vendidos à White Wolf e consequentemente a quem quer que tenha comprado os direitos aqui no Brasil.

    O que faltou mesmo foi a Devir investir no material, encarar a guerra judicial e depois lucrar com o material, o que seria líquido e certo caso o contrato da Capcom com a Devir/White Wolf ainda estivesse de pé - ou talvez, o contrato de compra de imagem tenha expirado antes do que se imagina.

    Mas, se querem realmente saber minha opinião, acho que nunca foi do interesse da Devir publicar o material no Brasil, mas sim, apenas mantê-lo em posse de direitos autorais para evitar que a concorrencia o adquirisse.

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  18. A Withe Wolf pagou a Capcom para ter os direitos de publicação do jogo (e a Capcom tinha planos de publicar um jogo de luta com vampiros e lobisomens baseado no Mundo das Trevas). Como ele saiu de linha, as empresas não tem mais vinculo algum.

    A Devir tinha contrato para publicar os proutos da White WOlf por aqui, mas Street Fighter RPG era da White Wolf E da Capcom.

    Foi isso que deu o rolo todo, pois a Trama tinha os direitos de publicação de material da Capcom, mas os da White WOlf pertenciam à Devir.

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  19. Ei galera, o RPG de SF para 3D&T não tem nada de oficial quanto à história.

    Eu tenho tanto o RPG da White Wolf quanto o 3D&T SF Zero e 3D&T Shadaloo e em todos eles a história oficial da Capcom não é respeitada.

    O que acontece é que no caso do 3D&T eles puxaram as histórias pro lado do filme do Van Damme, SF: The Cartoon e SF-2: Victory (os 3 não possuem histórias oficiais). A única bola dentro da Trama foi pegar a história da série Alpha que não existia na época da White Wolf lançar a sua versão.

    Já a White Wolf pegou as histórias vistas no game SF2, porém como era tudo muito obscuro e cheio de lacunas, eles foram inventando muita coisa. Dizem inclusive, que foi por causa disso que a Capcom cancelou contrato com a White Wolf, pois eles estariam mudando demais o cenário (assim como a Capcom cancelou contrato com a Malibu Comics depois deles terem matado o Ken na HQ deles).

    E sim Oráculo, as cartas de combate devem ser guardadas apenas para os combates 1x1 em torneios e etc. Contra capangas, o ideal é descer o cacete mesmo usando combate narrativo e coisas do gênero.

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  20. Thiago "Samyaza"23 de abril de 2010 13:22

    Dentre os golpes clássicos acho que faltou o "chapchapchuruguem", ou vulgarmente conhecido como "helicóptero" do Ken e do Ryu

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  21. Historia doida e esta ? =S

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