E aproveitando o feriado, vamos a mais um artigo da série Injustiçados...
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DO QUE SE TRATA?
Defensores de Tóquio começou como um RPG satírico fazendo piada com os heróis japoneses com Changeman, Jaspion, Black Kamen Rider e outros que passavam na extinta Rede Manchete de televisão. O jogo fez tanto sucesso que logo ganhou uma segunda edição, ainda mantendo o mesmo estilo de jogo.
Na verdade ele seria, originalmente, um suplemento para o RPG importado Toon, que aborda desenhos animados de comédia como Pernalonga, Pica Pau, Tom & Jerry e outros que até tua vó assistia. Mas, devido a problemas com a representante de Toon aqui no Brasil, a Devir Livraria (sempre ela!), o autor Marcelo Cassaro teve de criar um sistema própiro de regras e lançá-lo como um jogo independente.
Como todo RPG satírico ele logo acabou caindo no limbo do esquecimento (como o próprio Toon), até que a Trama Editora ganhou o direito de lançar produtos da Capcom, como quadrinhos e RPGs, o que inclusive nos trouxe a versão Storyteller de Street Fighter, que também teve problemas com a Devir (malditos!). Logo, surgiu a idéia de lançar um RPG próprio da editora, não só com os Street Fighters, mas também com outros jogos da Capcom, como Megaman, Darkstalkers, etc.
Ao invés de criar um novo sistema de regras eles pegaram o mesmo Defensores de Tóquio e alteraram algumas coisas, transformando-o em um jogo novo. Esta terceira edição chamar-se-ia 3D&T.
POR QUE É UM INJUSTIÇADO?
Basicamente existem dois tipos de sentimentos em relação ao 3D&T: Aqueles que adoram e aqueles que tem ódio.
3D&T é um jogo simples e sem nenhum realismo, o que o torna muito fácil de se aprender, pois são usadas toda a lógica (ou falta dela) dos videogames, animes e mangás, o que, de cara, já consegue atrair os fãs desses generos que nunca jogaram RPG.
Porém, a grande maioria dos RPGs, inclusive o nosso amado AD&D, possuem toneladas de regras muito mais realistas, mesmo em jogos de fantasia, o que causava indignação dos fãs mais exaltados de outros RPGs.
Neste jogo um personagem pode causar mais dano com flores, bolhas de sabão ou a faquinha plástica que vem naquele pacote de rocambole do que um que use uma bazuca, espada ou bomba atômica. Ora, nos videogames, animes e mangás é exatamente a mesmíssima coisa!
Outra grande reclamação, vinda principalmente dos fãs de Storyteller, é a pobreza dos cenários, já que os próprios livros oficiais de 3D&T eram, na verdade, revistas com pouco mais de 20 páginas, sem o detalhamente gigantesco do Mundo das Trevas.
DEIXEM OS DEFENDORES EM PAZ!
A grande verdade é que 3D&T, com sua simplicidade conseguiu fazer o que a TSR não conseguiu com seu First Quest, nem a White Wolf com seu Street Fighter: popularizar nosso hobby.
3D&T foi o primeiro RPG de muita gente (inclusive este que vos escreve), o que inclusive diminuiu um pouco (mas não muito) o preconceito com os jogadores de RPG, já que, de maneira geral, fãs de videogames e mangás são mais bem aceitos na sociedade "normal".
Suas regras simples acabaram com o tabu de que RPG é um jogo de loucos obcecados por números, fazendo com que qualquer um, inclusive você, possa aprendê-lo em poucos minutos.
Além disso, como sempre digo, o que faz o RPG não sã suas regras e sim a imaginação dos jogadores.