sábado, 17 de outubro de 2009

Post do Leitor: Miniaturas e a Interpretação


Olá vermes!

Bem, hoje teremos um Post do Leitor feito pelo Oráculo a respeito da utilização de Miniaturas no RPG. Confiram aí a bagaça...

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Miniaturas e a Interpretação

Roleplaying Games são jogos de interpretação e imaginação. Para jogá-los não é necessário nada mais além dos livros básicos, dados e fichas de personagem, mas em algumas situações de ação fica um tanto confuso para se imaginar onde cada personagem está no meio de uma briga. O que fazer então?
Imagine uma situação clássica de AD&D, um grupo composto por um guerreiro, um ladrão, um clérigo e um mago andando por uma masmorra quando de repente o grupo é surpreendido pelas costas. Mas quem estava na retaguarda para ser atacado? Dificilmente o narrador teria uma resposta sincera dos jogadores neste momento, por isso além das opções de sortear ou simplesmente determinar o alvo ele pode recorrer às miniaturas.



O ovo ou a galinha?

Quem só foi conhecer RPG recentemente através da terceira edição de Dungeons & Dragons em diante pode acreditar que as miniaturas são acessórios para se jogar RPG, mas na verdade o RPG é que começou como um acessório para se jogar com miniaturas!
Tudo começou com os Wargames (jogos de guerra), onde se realizavam combates de tropas em mapas, onde cada miniatura representava uma tropa ou unidade de um exército, geralmente representeando grandes batalhas medievais. Os wargames foram uma verdadeira febre nos EUA, com diversas associações de jogadores e tudo mais que um meio de entretenimento tem direito.
Um dos mais famosos jogos se chamava Chainmail (Cota de Malha) que além de regras para combates medievais também tinha foco em fantasia medieval. Então um sujeito chamado Dave Arnesson questionou a seu amigo e criador do jogo Gary Gigax se ele poderia escolher alguns de seus soldados para invadir o castelo do inimigo pelo sistema de esgotos. Foi daí que surgiu o princípio do RPG, a interpretação individual de personagens ao invés de combates em massa sem muita interação com o cenário.
Em 1974 surgiu Dungeons & Dragons, um suplemento para Chainmail onde cada jogador representaria um único personagem em um mundo de fantasia medieval, e todos os combates seriam resolvidos através das miniaturas de Chainmail.
Contudo, o RPG foi evoluindo e as antigas histórias de heróis invadindo masmorras cheias de monstro para fazer a limpa no tesouro do dragão, foram ganhando complexidade. Enquanto D&D virava AD&D foi crescendo a necessidade de interpretar um papel e não controlar um bonequinho sobre um mapa quadriculado.

Nos anos 90, com o sucesso do sistema Storyteller o RPG ficou ainda mais complexo em relação ao Roleplay e os combates entre miniaturas foram perdendo cada vez mais espaço. Mas será que as miniaturas são tão inúteis assim em relação à interpretação?



Uma ferramenta muito útil


Certamente miniaturas são inúteis durante um diálogo, ou uma cena de ação que não envolva combates, mas cedo ou tarde, independente do sistema jogado, os heróis vão se envolver em uma briga.
É claro que a interpretação e as descrições do Narrador SEMPRE terão preferência, mas em alguns casos as coisas se complicam. Um Narrador inexperiente pode não saber se organizar para narrar os combates, ou até mesmo um Narrador experiente pode se complicar ao lidar com um grupo de heróis combatendo vários monstros ao mesmo tempo.
Nestes casos as miniaturas são ferramentas extremamente úteis, pois tanto os jogadores quanto o narrador podem VER onde os heróis estão se movendo. Porém em muitos casos elas são completamente inúteis e até anti-climáticas, ou você gostaria de ficar mexendo com bonequinhos durante um diálogo com uma bela princesa ou o grande vilão da história?
Mesmo em casos de combates as miniaturas são perfeitamente dispensáveis, afinal num combate dos heróis com alguns soldadinhos "bucha-de-canhão" não merece tanta atenção estratégica assim. A mesma coisa acontece quando seus heróis estão em meio a uma guerra ou outro tipo de combate com muitos personagens envolvidos.

Lembro-me de uma cena em que um guerreiro de meu grupo ficou preso em um lugar com mais de cem esqueletos, já pensou usar miniaturas para tudo isso! É claro que nesse caso o combate não durou muito e ele viu (de forma bem dolorosa) que algumas vezes o melhor mesmo é fugir, mas em alguns casos como em aventuras épicas tais combates acontecerão e não haverão miniaturas suficientes para auxiliá-lo.

Em todo caso as miniaturas NUNCA vão substituir a interpretação. Elas são uma ferramenta e não uma regra, afinal, não existe necessidade de se jogar cada combate em que os heróis irão se meter, afinal uma luta entre um guerreiro de 20° nível contra um Kobold certamente será vencida no primeiro golpe, não são necessários nem mesmo dados para isso!
Esse ponto de vista sempre foi usado nas edições de D&D a partir da evolução dele para RPG, quando deixou de ser um suplemento de Chainmail. Porém, a quarta edição evoluiu ao contrário ao assumir que suas regras de combate dependem das miniaturas sempre. Se isso foi feito para se vender miniaturas ou apenas para facilitar o jogo, com certeza se perdeu muito da liberdade para narrar os combates livremente.


Conclusão


Então, usar ou não as miniaturas? Bem, se você joga D&D 4 (também conhecido como "Dê De Quatro") não terá muita opção, a não ser que adapte as regras para não utilizá-las, o que é ridículo quando constatamos que o livro custa mais de R$ 50,00 e ainda dá o trabalho de se adaptar as regras, ao passo que mesmo a primeira edição e D&D tinha regras para jogar SEM as miniaturas, outros RPGs como GURPS e Street Fighter também usavam miniaturas, mas tinham regras para não utilizá-las.
Em todo caso, as miniaturas são sim uma boa ferramenta de jogo, sejam elas de metal, de plástico, dados, pedras, bolinhas de papel... mas se você se preocupa mais em posicionar miniaturas em um mapa do que representar um papel, talvez esteja jogando um wargame e não um RPG.
É claro que não existe jeito "certo" ou "errado" de se jogar, o importante é a diversão, afinal, mas normalmente a diversão só ocorre quando há equilíbrio.


Então é isso macacada! Este foi o Post do Leitor do Oráculo, abaixo o cartão de estátisticas dele:

* O seu nome real: Ygor da Silva Vieira
* O seu apelido (se tiver um): Oráculo
* A sua idade: 22
* Sistema que mais gosta de jogar: Lobisomen: O Apocalipse e AD&D
*Há quanto tempo joga RPG: jogar a sério mesmo... desde 2001. Mas conheço RPG desde 1995!

Quem tiver culhões e quiser participar da sessão Post do Leitor do Blog do Dragão Banguela, basta acessar este link aqui e seguir as instruções.

Bom, por hoje é isso galera, até o próximo post.